A rota clássica de duas semanas
Para uma primeira viagem à Argentina, catorze dias bastam para um roteiro redondo entre a cidade e a Patagônia. Comece com três ou quatro dias em Buenos Aires (San Telmo, Recoleta, Palermo, uma milonga e um asado). Siga com dois dias em Puerto Iguazú para as cataratas, do lado argentino e, se der tempo, uma tarde do lado brasileiro. Voe até El Calafate para dois dias dedicados ao glaciar Perito Moreno, um dos poucos glaciares do mundo que ainda avança. Continue de ônibus, cerca de três horas, até El Chaltén, a capital do trekking na Argentina, com dois ou três dias para caminhar em direção ao Fitz Roy ou à laguna Torre. Encerre a viagem com dois ou três dias em Ushuaia, a cidade mais austral do mundo, com o Parque Nacional Tierra del Fuego e um passeio de barco pelo canal Beagle.
Três semanas: somando Bariloche e Mendoza
Com uma semana a mais, a rota clássica fica muito mais rica. Depois de El Chaltén ou antes de Ushuaia, some três ou quatro dias em Bariloche, com os lagos do Nahuel Huapi, o Circuito Chico e o Cerro Catedral. Antes de descer para a Patagônia, outra opção é uma parada de dois ou três dias em Mendoza para conhecer vinícolas de Malbec em Luján de Cuyo ou no Valle de Uco, com vista para a Cordilheira dos Andes. Os dois destinos têm voos diretos saindo de Buenos Aires, então dá para encaixá-los sem perder muito tempo com conexões.
Quatro semanas: somando o noroeste
Com um mês disponível, vale a pena incluir o noroeste argentino: quatro ou cinco dias entre Salta e Jujuy, com a Quebrada de Humahuaca, Patrimônio da Humanidade, o Cerro de los Siete Colores em Purmamarca e as Salinas Grandes. É uma região de paisagens andinas, cultura originária e pratos como o locro ou as empanadas salteñas, bem diferente em clima e altitude do resto do roteiro, então vale planejar um ou dois dias de aclimatação antes de subir além dos 3.000 metros.
Voos internos: a chave de tudo
A Argentina é enorme, e quase todo roteiro assim depende de voos internos que conectam por Buenos Aires. Cuidado com os dois aeroportos da capital: o Aeroparque (AEP), perto do centro, concentra a maioria dos voos domésticos, enquanto o Ezeiza (EZE) é o aeroporto internacional, a cerca de 40 km do centro. Se o seu voo internacional chega em Ezeiza e o próximo trecho sai do Aeroparque, calcule pelo menos três horas para o traslado, mais margem em horário de pico. Comprar os voos internos com 60 a 90 dias de antecedência reduz bastante o preço em comparação com comprar perto da data.
Quando ir e em que direção viajar
A Patagônia austral (Calafate, Chaltén, Ushuaia) tem sua temporada entre novembro e março; fora dessas datas muitos serviços fecham. O norte (Salta, Jujuy, Iguaçu) pode ser visitado o ano todo, embora valha evitar janeiro em Iguaçu pelo calor extremo. Muitos viajantes começam pelo norte quente e terminam na Patagônia fria, ou o contrário, dependendo da estação; o importante é não deixar a Patagônia para o inverno austral se o objetivo for trekking. Reserve os trechos patagônicos com a maior antecedência possível na alta temporada.
Orçamento e como combinar com Chile e Brasil
Como referência, um viajante de padrão médio pode calcular entre USD 70 e 120 por dia, incluindo hospedagem, comida e atividades moderadas, sem contar voos internos nem passeios especiais como navegação até o glaciar. A rota se combina naturalmente com países vizinhos: de El Calafate dá para cruzar até Torres del Paine, no Chile, de ônibus, cerca de cinco horas mais o trâmite de fronteira, e de Puerto Iguazú é possível visitar o lado brasileiro das cataratas em um dia, cruzando a fronteira com passaporte. Na alta temporada, de dezembro a fevereiro e Semana Santa, reserve hospedagem em El Chaltén, Ushuaia e Bariloche com vários meses de antecedência, porque a oferta de vagas é limitada e esgota rápido.