Moeda e inflação: pesos, dólar blue e como pagar
A Argentina tem uma economia de inflação alta e um mercado cambial particular: existe o câmbio oficial e o chamado dólar blue (paralelo), que costuma render bem mais pesos por dólar. Desde 2024, os cartões internacionais com câmbio MEP/cartão ficaram competitivos, então vale comparar antes de trocar dinheiro na rua. Para trazer dinheiro do exterior, muitos viajantes usam a Western Union, que costuma pagar em pesos próximo à cotação do blue apenas com o passaporte. Leve sempre algumas notas de dólar em bom estado, sem rasuras, como reserva.
Dinheiro em espécie vs. cartão no dia a dia
Nas grandes cidades os cartões são aceitos quase em todo lugar, mas vale carregar pesos em espécie para quiosques, remises, gorjetas, feiras e cidades pequenas do interior, onde as maquininhas costumam perder sinal. O caixa eletrônico geralmente cobra tarifa e tem limite de saque baixo, algo em torno de USD 100-150 por operação, então sacar dinheiro nem sempre é a opção mais vantajosa frente a trocar espécie ou pagar no cartão com boa cotação.
Quando viajar: estações invertidas e climas regionais
No hemisfério sul as estações são invertidas: de dezembro a março é verão, de junho a agosto é inverno. A Patagônia austral (El Calafate, Ushuaia) é melhor aproveitada de novembro a março, com dias longos; no inverno muitos serviços fecham ou reduzem o horário. O noroeste (Salta, Jujuy) é agradável o ano todo, embora o verão traga chuvas em fevereiro. As Cataratas do Iguaçu são lindas em qualquer época, mas vale evitar janeiro pelo calor e a umidade extremos. Buenos Aires tem clima ameno, com verões úmidos.
Como se locomover: voos internos, ônibus cama e SUBE
As distâncias na Argentina são enormes, o que torna os voos internos essenciais: Aerolíneas Argentinas, Flybondi e JetSmart cobrem as principais rotas. Atenção à bagagem: as companhias low cost (Flybondi, JetSmart) costumam incluir apenas uma bolsa de mão pequena na tarifa básica e cobram à parte pela bagagem despachada, às vezes mais caro do que o esperado se não for comprada com antecedência. Para trajetos mais curtos, os ônibus de longa distância com poltronas cama ou semicama são confortáveis e uma alternativa mais barata que o avião. Em Buenos Aires, o cartão SUBE é obrigatório no metrô, nos ônibus urbanos e em parte dos trens; pode ser comprado e recarregado em quiosques e estações.
Segurança: batedores de carteira e motochorros
Buenos Aires e outras grandes cidades são, em geral, seguras para turistas, mas o furto oportunista é o principal risco: batedores de carteira no transporte público e em áreas turísticas, e os motochorros, ladrões que arrancam celulares ou bolsas de uma moto em movimento. A regra de ouro é não usar o celular andando perto do meio-fio nem em cruzamentos vazios; guarde-o antes de atravessar áreas com motos paradas ou circulando devagar. Evite exibir joias ou câmeras caras, e use remise ou aplicativo de transporte à noite em vez de caminhar longas distâncias.
Chip, idioma, gorjetas e detalhes práticos
Comprar um chip local (Personal, Claro, Movistar) ou ativar um eSIM antes da viagem facilita o dia a dia; o cadastro exige passaporte. O espanhol rioplatense tem musicalidade própria: usa-se vos em vez de tú, e o ll/y soa como sh ou jh, então yo se pronuncia mais perto de sho. A gorjeta habitual em restaurantes é de cerca de 10%, raramente incluída automaticamente na conta. As tomadas são do tipo I, dois pinos chatos em V mais um terceiro, então leve um adaptador. A água da torneira é potável na maioria das grandes cidades. Cidadãos da Polônia e da União Europeia não precisam de visto turístico para a Argentina e podem ficar até 90 dias com passaporte válido.